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A paciência turva

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Tenho percorrido novos caminhos e cada passo dessa jornada tem sido uma mistura entre desafios instigantes, novidades arrepiantes  e frustrações inevitáveis. Não sei dizer ao certo o que tem me motivado, mas sempre que desperto pela manhã tento canalizar os bons pensamentos e seguir batalhando para que cada degrau seja superado no seu tempo certo. Por tudo isso     a palavra que mais tenho repetido ultimamente é paciência. Tenho aprendido que por mais que eu queira resolver o mais rápido possível todas as questões relacionadas à minha reabilitação e também à readaptação da vida sem a visão, o fato é que isso não será uma tarefa tão simples como livros de auto-ajuda e filmes de superação hollydiana sugerem. Portanto, éeessencial entender que a vida precisa ser desacelerada para que ela seja melhor aproveitada e novos caminhos e oportunidades se abram diante de mim. Descrição da foto: Eu caminhando em um parque usando bermuda, camiseta azul e óculos escuros. Em minha ...

O jantar, a prancha e o legado

Era uma quarta-feira do fim do outono de 2012 em São Paulo e o Alex passou bem cedinho em casa para irmos até Paulínia, cidade do interior paulista que fica nas cercanias de Campinas. Estavámos iniciando um projeto de desenvolvimento de um sistema de operação logística para uma grande indústria de produtos químicos. A viagem durou em torno de uma hora e meia e gastanmos este tempo traçando estratégias para as inúmeras reuniões que teríamos naquele dia, que fora reservado para fazermos o levantamento dos requisitos iniciais para a execução do trabalho. Eu estava muito contente e ansioso com a oportunidade de ser o líder técnico de um grande projeto pela primeira vez na minha carreira e também feliz em ter o Alex como gerente, pois, além de nos darmos muito bem, eu de fato sentia que ele confiava no meu trabalho e que eu também poderia contar com o seu suporte para qualquer eventualidade.  A  planta química era uma propriedade imponente construída em um local que fora uma fazend...

As chaves da independência

Marida chegou um pouco mais cedo do trabalho naquela sexta-feira, e mesmo assim estava muito ansiosa para terminarmos de arrumar as malas, afinal na manhã seguinte voaríamospara Honolulu, no Havaí. Como eu havia ficado em casa o dia inteiro, minhas roupas já estavam todas dentro da nossa bagagem e então começamos juntos a completar com tudo aquilo que precisaríamos durante os nossos sete dias de viagem. Para tanto, havíamos previamente feito uma lista, a qual fomos checando item a item para que não esquecessemos de nada.                   Quando a lista já estava quase completa, a Marida deu um suspiro de cansaço bem profundo e falou que precisava tomar um banho e que também tinha fome, pois estava desde cedo sem comer nada substancial. Eu disse que tudo bem, mas logo lembrei-lhe de algo que ainda tínhamos que fazer.              ...

Entre o lixo e as flores

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Era uma quinta-feira de junho (começo do verão) aqui no Texas e eu terminava de me arrumar para sair com o meu amigo Eri para tomar um suco e jogar um papo fora. Quando estava procurando relógio, máscara e carteira, ouvi que o caminhão do lixo estava passando e resolvi colocar, antes de sair, a lata para dentro da nossa garagem, onde ela normalmente fica. Desci as escadas com o habitual cuidado de quem não enxerga quase nada, sentei-me no banco próximo à porta e calcei os tênis. Abri o portão da garagem e fui saindo, mas logo percebi que, apesar de já estarmos próximos dás sete horas, o sol brilhava ostensivamente. Pensei que deveria entrar novamente e pegar os óculos escuros e a filomena para a minha pequena tarefa, mas logo achei que não valeria a pena, pois a caminhada não seria de mais do que cinco metros. Coloquei os olhos fixos no chão da calçada e fui caminhando com muito cuidado em direção à rua. Passei por uma vaga de estacionamento que fica bem de frente com a minha casa e s...

O jogo fácil da vida

Se você lê este blog com regularidade , o nome do Johni já se tornou habitual, afinal jácontei duas histórias das quais ele fez parte durante minhajuventude. Mas hoje quero, infelizmente,trazer uma passagem não muitoagradável da sua vida recente para a nossa reflexão, pois conforme contei na crônica O livro que eu não li , estudei com o Johni desde oprimário até o fim doensino médio. Após isso, ele foi para uma outra instituição e se formou em engenharia daComputação. Apesar de não estudarmos mais juntos, seguimos amigos e até tentamos empreender na área da tecnologia de rádio frequência; porém nossos planos não deram muito certo e eu segui o meu rumo na vida e me mudeipara São Paulo. Johni, por sua vez, investiu na carreira bancária e fez o concurso para a Caixa Econônmica Federal, no qual foi aprovado em 2008. Tentando fazer uma descrição rápida e superficial do Johni, ele é um sujeito alto, bem apessoado e que aparentemente náo possui qualquer limitação física, ou seja, a sua defi...

Não tem botão!

Desde o começo de 2020 eu comecei a me envolver mais profundamente com alguns grupos de discussão e assistência aos deficientes visuais da região onde moro. O primeiro deles que tive contato foi o HAVIN ( Houston Area Visually Impaired Network ), o qual, assim como denota o nome, é uma agremiação de pessoas que compartilham de sérias degradações em suas vistas e que se ajudam mutuamente para conseguir lidar com seus desafios de vida. Atra’vés deles eu me informo sobre benefícios dentro da sociedade americana e dicas para conviver com adeficiência. Outro grupo com o qual tenho tido bastante interação é com o iBug ( iPhone Blind Users Group ),que foi fundado e épresidido pelo mesmo engenheiro que citei no texto Você é cego? Eles basicamentepossuem sessõessemanais de discussão sobre tecnologias assistivas para celulares, tablets e outros dispositivos eletrônicos. Como já imaginado, o grupo é focado em tecnologias Apple, porém também possui sessões sobre Android, e é nestas que eu tenh...

Conserto ou concerto?

Para que possamos refletir um pouco sobre um assunto que julgo importante nos nossos dias atuais, vou propor o seguinte cenário hipotético. Imagine que você está em sua casa apreciando um belo domingo de extremo ócio e seu telefone toca. Você, então, nota que se trata do seu grande amigo Bruno. Você atende ao telefone com a sua habitual irreverência, mas logo nota que ele não está tão contente assim e, que ao contrário, está ofegante e pergunta se pode passar na sua casa para conversarem. . Ao chegar, você já preocupado quer saber o motivo do seu desespero. Você lhe oferece, então, um copo d’água e pede para que se sente no sofá a fim de se acalmar um pouco. Sua respiração começa avoltar ao normal e ele, que é afro-descendente, lhe conta que estava caminhandona rua quando quatro homens começaram a perseguí-lo e chamaá-lo de terríveis nomes que faziam alusão à sua cor de pele. ele volta a ficar nervoso enquanto   conta que conseguiu despistar os homens e correr então para a sua ca...