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O jantar, a prancha e o legado

Era uma quarta-feira do fim do outono de 2012 em São Paulo e o Alex passou bem cedinho em casa para irmos até Paulínia, cidade do interior paulista que fica nas cercanias de Campinas. Estavámos iniciando um projeto de desenvolvimento de um sistema de operação logística para uma grande indústria de produtos químicos. A viagem durou em torno de uma hora e meia e gastanmos este tempo traçando estratégias para as inúmeras reuniões que teríamos naquele dia, que fora reservado para fazermos o levantamento dos requisitos iniciais para a execução do trabalho. Eu estava muito contente e ansioso com a oportunidade de ser o líder técnico de um grande projeto pela primeira vez na minha carreira e também feliz em ter o Alex como gerente, pois, além de nos darmos muito bem, eu de fato sentia que ele confiava no meu trabalho e que eu também poderia contar com o seu suporte para qualquer eventualidade. \ A  planta química era uma propriedade imponente construída em um local que fora uma fazenda de can

As chaves da independência

Marida chegou um pouco mais cedo do trabalho naquela sexta-feira, e mesmo assim estava muito ansiosa para terminarmos de arrumar as malas, afinal na manhã seguinte voaríamospara Honolulu, no Havaí. Como eu havia ficado em casa o dia inteiro, minhas roupas já estavam todas dentro da nossa bagagem e então começamos juntos a completar com tudo aquilo que precisaríamos durante os nossos sete dias de viagem. Para tanto, havíamos previamente feito uma lista, a qual fomos checando item a item para que não esquecessemos de nada.                   Quando a lista já estava quase completa, a Marida deu um suspiro de cansaço bem profundo e falou que precisava tomar um banho e que também tinha fome, pois estava desde cedo sem comer nada substancial. Eu disse que tudo bem, mas logo lembrei-lhe de algo que ainda tínhamos que fazer.                   “Precisamos ir lá levar as chaves para o gandhi e a Vanessa.” – disse eu.                   “Pois é, tinha me esquecido disso. Será que realmente p

Entre o lixo e as flores

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Era uma quinta-feira de junho (começo do verão) aqui no Texas e eu terminava de me arrumar para sair com o meu amigo Eri para tomar um suco e jogar um papo fora. Quando estava procurando relógio, máscara e carteira, ouvi que o caminhão do lixo estava passando e resolvi colocar, antes de sair, a lata para dentro da nossa garagem, onde ela normalmente fica. Desci as escadas com o habitual cuidado de quem não enxerga quase nada, sentei-me no banco próximo à porta e calcei os tênis. Abri o portão da garagem e fui saindo, mas logo percebi que, apesar de já estarmos próximos dás sete horas, o sol brilhava ostensivamente. Pensei que deveria entrar novamente e pegar os óculos escuros e a filomena para a minha pequena tarefa, mas logo achei que não valeria a pena, pois a caminhada não seria de mais do que cinco metros. Coloquei os olhos fixos no chão da calçada e fui caminhando com muito cuidado em direção à rua. Passei por uma vaga de estacionamento que fica bem de frente com a minha casa e s

O jogo fácil da vida

Se você lê este blog com regularidade , o nome do Johni já se tornou habitual, afinal jácontei duas histórias das quais ele fez parte durante minhajuventude. Mas hoje quero, infelizmente,trazer uma passagem não muitoagradável da sua vida recente para a nossa reflexão, pois conforme contei na crônica O livro que eu não li , estudei com o Johni desde oprimário até o fim doensino médio. Após isso, ele foi para uma outra instituição e se formou em engenharia daComputação. Apesar de não estudarmos mais juntos, seguimos amigos e até tentamos empreender na área da tecnologia de rádio frequência; porém nossos planos não deram muito certo e eu segui o meu rumo na vida e me mudeipara São Paulo. Johni, por sua vez, investiu na carreira bancária e fez o concurso para a Caixa Econônmica Federal, no qual foi aprovado em 2008. Tentando fazer uma descrição rápida e superficial do Johni, ele é um sujeito alto, bem apessoado e que aparentemente náo possui qualquer limitação física, ou seja, a sua defi

Não tem botão!

Desde o começo de 2020 eu comecei a me envolver mais profundamente com alguns grupos de discussão e assistência aos deficientes visuais da região onde moro. O primeiro deles que tive contato foi o HAVIN ( Houston Area Visually Impaired Network ), o qual, assim como denota o nome, é uma agremiação de pessoas que compartilham de sérias degradações em suas vistas e que se ajudam mutuamente para conseguir lidar com seus desafios de vida. Atra’vés deles eu me informo sobre benefícios dentro da sociedade americana e dicas para conviver com adeficiência. Outro grupo com o qual tenho tido bastante interação é com o iBug ( iPhone Blind Users Group ),que foi fundado e épresidido pelo mesmo engenheiro que citei no texto Você é cego? Eles basicamentepossuem sessõessemanais de discussão sobre tecnologias assistivas para celulares, tablets e outros dispositivos eletrônicos. Como já imaginado, o grupo é focado em tecnologias Apple, porém também possui sessões sobre Android, e é nestas que eu tenh

Conserto ou concerto?

Para que possamos refletir um pouco sobre um assunto que julgo importante nos nossos dias atuais, vou propor o seguinte cenário hipotético. Imagine que você está em sua casa apreciando um belo domingo de extremo ócio e seu telefone toca. Você, então, nota que se trata do seu grande amigo Bruno. Você atende ao telefone com a sua habitual irreverência, mas logo nota que ele não está tão contente assim e, que ao contrário, está ofegante e pergunta se pode passar na sua casa para conversarem. . Ao chegar, você já preocupado quer saber o motivo do seu desespero. Você lhe oferece, então, um copo d’água e pede para que se sente no sofá a fim de se acalmar um pouco. Sua respiração começa avoltar ao normal e ele, que é afro-descendente, lhe conta que estava caminhandona rua quando quatro homens começaram a perseguí-lo e chamaá-lo de terríveis nomes que faziam alusão à sua cor de pele. ele volta a ficar nervoso enquanto   conta que conseguiu despistar os homens e correr então para a sua casa.

Tips on how to socialize with the visually impaired

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  In case this is your first time navigating through this   blog, I need to tell you that it is fully written in Portuguese, which is my native language. However I thought it would be a good idea to deliberately translate this specific article to English, so I could share this information also with my non-Brazilian friends. In the other hand, if you want to read the other posts published in this blog, there are three links on the side bar on your left (English, Esp”nol and Italiano) that you can use to   translate the whole web site into one of those three languages. You can also, after clicking on any one of those, change the target language to anyone in the world (PS: this is an auto translation from Google, so I cannot guarantee this is 100% accurate). Well, the articles published here are usually very anecdotal and, in a certain way, ludic. In other words, lists are not very like me. But I find it very pertinent to share this type of information, which I believe is also a mirror