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O menino estrábico

 Nunca desejei transformar este blog em um espaço de revisões literárias, porém acabo de ler um livro cuja temática diz muito respeito aos meus dias atuais e por isso gostaria de compartilhar com vocês algumas das minhas impressões sobre O ensaio sobre a cegueira de José Saramago .Sei que aquilo que penso e refleti quando li o livro tem alguma relevânciapor conta da cegueira ser o assunto principal da obra, mas, além disso, o livro trata de uma pandemia, ou seja,o contexto se torna duplamente interessante.                Certamente você tem uma ideia sobre o contexto do livro, ou seja, que aborda uma epidemia, a qual surge sem qualquer   explicação e faz com que todos os contagiados se tornem cegos. A princípio o governo tenta isolar os primeiros doentes, porém não há formas de conter o contágio e a cegueira se alastra vastamente entre a população. A história então é narrada em torno dos primeiros infectados.                O livro é muito complexo e aborda muitas características d

O ponto de interrogação

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Hoje, enquanto escrevia um novo texto para postar aqui no blog, deparei-me com um problema real dest aminha nova vida de escrever sem a visão, o qual gostaria de compartilhar de maneira anedótica com vocês que me lêem e tem acompanhado meus novos passos e desafios. Como sempre, gosto de analisar alguns fatos da vida ou de uma obra literária e trazer tais exemplos para a nossa convivência social e interna. O meu objetivo é sempre parar um pouco o e refletir sobre tais exemplos e tirar lições a partir deles. e com isso refletir de alguma forma sobre tudo aquilo que nos acontece na vida.   Porém, hoje será um pouco diferente. Para escrever estes novos textos, eu tenho usado o windows Narrator para acompanhar,, através da audição, tudo aquilo que eu digito no meu computador. Além disso, também utilizo de ferramentas de leitura de tela, tais como o google Assistente e Talk Back, para fazer o mesmo com o meu telefone celular. E toda esta tecnologia tem sido muito útil para mim e me ajuda

A arte de reaprender

Em outubro de 2014, um dia após às eleições presidenciais, as quais tinham deixado um clima muito tenso espalhado pelo país, recebi uma ligação de colegas que trabalhavam nos Estados Unidos me me oferecendo a popotunidade de entrar em um processo selectivo para uma vaga no país norte-americano.. Procurei me informar ao máximo sobre a posição e prometi retornar em breve om a minha decisão de me candidatar ou não. No mesmo momento, liguei para a Marida e lhe contei sobre a popotunidade.e afirmei que eu gostaria de tentar, mas que só iria em frente se ela aceitasse ir comigo. Lembro-me que ela estava atarefada no mmomento da ligação com algumas atividades da faculdade e sem muita hesitação, mas também sem acreditar muito que de fatao daria certo, aceitou.             Depois de um processo que levou em torno de dois meses, , em janeiro de 2015 eu recebi a documentação oficial com a oferta para a minha transferência. Marida não teve muita opção então e seguir em frente com o que havíamos

Entrevista blog de tecnologia

O meu grande amigo Michele Nasti, o qual já citei em um outro texto , possui um blog sobre tecnologia, no qual recentemente publicou uma entrevista comigo. Conversamos sobre carreira na área de TI e também a minha experiência enquanto deficiente visual. Portanto, o objetivo deste artigo aqui é referenciar a sua publicação. O blog é, majoritalmente, escrito em italiano, mas a entrevista comigo está em inglês. Você pode acessar a versão original aqui , e caso queira conferir a versão traduzida para o português, este é o link. Weber Amaral Clique  aqui  para seguir o roteiro de leitura dos textos do Dislexia Visual sugerido pelo autor.

O som da metamorfose

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  Há algumas semanas, assistimos ao filme O som do silêncio ( Sound of metal ). O longa-metragem conta, de uma forma muito particular e impressionante, a história de Ruben Stone, um baterista de uma banda de heavy metal que subitamente perde a audição. O personagem então passa por vários estágios durante e após a sua desagradável descoberta. O filme mostra várias cenas em primeira pessoa, o que faz a audiência sentir na pele as sensações angustiantes e extremamente desafiadoras de um deficiente auditivo. De certa forma, a principal mensagem que o filme transmite é algo que já conversamos por aqui , ou seja, que a deficiência não é algo a ser “consertado”. Independentemente de este assunto me ser muito relevante, eu acredito que este tenha sido um dos melhores filmes que assisti nos últimos tempos, por isso, recomendo demais. Aliás, aproveito para deixar aqui o agradecimento aos amigos Hermano e Maurien pela indicação. Entretanto, como este não é um blog de críticas cinematográficas,

Dicas para interagir com um deficiente visual

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Caso você acompanhe este blog com alguma regularidade, sabe muito bem que os textos aqui publicados são bem anedóticos e, de certa forma, lúdicos. Ou seja, listas não são muito do meu feitio. Porém, eu acho bastante pertinente compartilhar esse tipo de informação, a qual eu creio que também é um espelho da minha realidade e traduz um pouco da minha perspectiva de mundo. Eu vou tentar criar conexões entre as dicas que vou passar abaixo e os textos que já estão por aqui, o que também colabora caso você queira ter exemplos e reflexões mais aprofundados sobre o que estamos conversando aqui hoje.   Antes de começarmos, vale relembrar a você que me lê agora que, com exceção do Shiryu, que furou os próprios olhos para derrotar a Medusa, nenhum deficiente visual optou pela sua condição e, infelizmente, o mundo à nossa volta não é bem adaptado para a nossa realidade. Ou seja, nós fazemos muitas concessões e estamos constantemente nos reinventando para o mundo que nos rodeia. Por isso, o obj

A meritocracia dos homônimos

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Eu sempre gostei muito, desde criança, de praticar futebol, mas devo confessar que, caso você jamais tenha me visto em ação, eu sempre fui bem mediano. Dos meus 8 aos 18 anos, mais ou menos, eu disputei vários campeonatos escolares, ligas municipais e até algumas regionais. Nunca brilhei, mas sempre me diverti bastante e, até um certo ponto, jogava em um nível competitivo. No meu time existiam todos os tipos de jogadores: havia os habilidosos, como o Dieguinho, os velozes, como o Weslinho (meu primo), os sérios e engajados, como o Baiano (deus da raça), os aplicados, como o Gui, e os constantes e decisivos, como o Thiago Bodão.  No entanto, de todos eles, o Nilmar sempre foi o jogador mais completo, pois combinava todas as características acima no seu estilo determinado e elegante dentro das quatro linhas. Lembro-me o quão seguro era tê-lo no meu time, já que ele tomava conta da partida e sempre as decidia. Porém, também me recordo o quão aterrorizante era enfrentá-lo durante os trei